Segundas Intenções Online traz em julho a escritora Maria Valéria Rezende
13 DE julho DE 2020
Em 1965, Maria Valéria entrou para a ordem das Cônegas de Santo Agostinho, na Congregação de Nossa Senhora. Segue sendo freira e, desde 1976, vive em João Pessoa, na Paraíba, dividindo a moradia com outras três religiosas. Em 2001, começou a publicar literatura, com a primeira versão do livro “Vasto Mundo” pela editora Beca - uma nova edição saiu em 2015, pela Alfaguara.
A autora lançou recentemente "Cartas à Rainha Louca", pela editora Companhia das Letras. Ambientado no fim do século XVIII, o romance traz como protagonista Isabel das Santas Virgens. Prisioneira da Coroa, ela escreve à dona Maria I, a "Rainha Louca" do título, para denunciar os terríveis atos cometidos pelos homens da Corte em nome da realeza.
"Cartas à Rainha Louca" foi tema, em maio, do Clube de Leitura Online da BVL. Para ler um trecho do livro, clique aqui.
No ano passado, a escritora também participou do 11º Seminário Internacional Biblioteca Viva – Conhecimento, Leitura e Literatura: Novas Trilhas. Confira a fala dela durante a mesa-redonda "Vozes da Diversidade".
https://youtu.be/PAz4YVwqqNM
A seguir, Maria Valéria, que nasceu em Santos, no litoral paulista, antecipa um pouco da conversa com Manuel da Costa Pinto no Segundas Intenções Online da BVL, falando sobre pandemia, quarentena e seu romance mais recente.
Como as restrições impostas pelas medidas de combate à Covid-19 afetaram o seu trabalho como escritora?
Meu trabalho de escritora, em si, continua como sempre foi: ideias não me faltam, faltam olhos (bem limitados), e dedos (muito desorientados) para conseguir passar da cabeça pro papel. Quanto ao resto, a luta entre a escrita, a atenção a outras pessoas (e são muitas que povoam meu cotidiano!) e mil outras tarefas da vida doméstica, continua como sempre.
Tem lido bastante? Pode compartilhar o que leu nesses tempos?
Leio todo o tempo que posso. Ultimamente tenho lido mais a poesia de autoria feminina, tentando aprender para, quem sabe, me arriscar mais nos poemas. Nesse caso, agradeço de coração às minhas poetas de cabeceira, Líria Porto, Adriene Garcia, Nydia Bonetti e tantas outras que não me deixam sofrer por falta de poesia, cada dia, a um toque do dedo numa tela! E os livros que meus "netos", jovens autores, me enviam pelo Correio, o que me faz amar meu carteiro! Por outro lado, leitura de ficção, o que tem me preenchido o tempo que resta é a leitura dos originais de amigas e amigos que nunca faltam também, mas que ainda não posso divulgar. Por outro lado, há as leituras como pesquisa para um talvez novo romance.
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O livro 'Carta à Rainha Louca' e sua autora, Maria Valéria Rezende[/caption]Você lançou um livro recentemente, "Cartas à Rainha Louca", pela Companhia das Letras. Como acha que seu trabalho se relaciona com os tempos atuais - excetuando, claro, a pandemia?
Minha "Carta à Rainha Louca" é (por acaso ou predição?) em grande parte sobre a dificuldade de viver confinada... Por outro lado, denuncia o machismo patriarcalista que segue tão semelhante ao do século XVIII, quando se passa minha história, hoje parecendo até mais extremado, talvez num último estertor antes de findar, espero!
Muitos autores escreveram contos e novelas tendo como inspiração a pandemia. Isso aconteceu com você? Ou seus projetos novos estão em outra direção?
Claro que a pandemia me provoca e já escrevi dois contos ligados a ela, mas meu projeto de romance, que conscientemente não continha o tema, certamente vai esbarrar nele, ainda mais que parte da narrativa se refere às primeiras décadas do século XX, onde a Gripe Espanhola assustou o mundo... É quase inevitável que agora me refira a ela. A gente escreve no presente, mesmo quando conta o suposto passado!
A BVL (www.bvl.org.br) continua com atividades presenciais suspensas. Para mais informações, visite o site e as redes sociais da biblioteca.
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