Força de protagonista de Maria Valéria Rezende é foco do Clube de Leitura

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A força das mulheres em Carta à Rainha Louca, de Maria Valéria Rezende, chamou a atenção dos participantes do Clube de Leitura de maio, realizado de forma online pela BVL e conduzido por Janaína, Fernanda e Rodrigo, da equipe da biblioteca. Na trama apresentada no livro, a protagonista Isabel escreve da prisão, contando os terríveis atos cometidos pelos homens da Coroa Portuguesa, para dona Maria I, a “Rainha Louca” do título. O cenário, no enredo, é o Brasil do século 18, mas os paralelos com as experiências vividas ainda atualmente por mulheres continuam altamente relevantes, como o encontro destacou.

Maria Valéria, que nasceu em Santos (SP), entrou para a Congregação Nossa Senhora, Cônegas de Santo Agostinho, em 1965 e dedicou-se à educação popular (primeiro, na periferia de São Paulo e, a partir de 1972, no Nordeste). Ela viveu em Pernambuco, depois na Paraíba e, desde 1986, mora na capital João Pessoa. A história de Carta à Rainha Louca “encontrou” a escritora em uma visita a um dos arquivos em biblioteca de Lisboa. As cartas de uma mulher com determinada instrução e à frente do seu tempo, acusada de fundar uma ordem religiosa, saltaram aos olhos de Maria Valéria, que levou 20 anos para tirar a ideia do livro da cabeça e colocar no papel.

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O machismo da sociedade da época descrita em detalhes no livro (inclusive com ênfase no vocabulário) fica evidente e ainda tem reflexos nos dias de hoje, como ressaltaram os participantes do Clube, que trataram também de questões como religiosidade, generosidade, injustiças, tristeza e superação, além de retomarem dados históricos sobre a realeza portuguesa. Paola, que ficou surpresa ao saber que as personagens nasceram de um caso real, destacou a força deste trabalho primoroso de Maria Valéria, escritora, que, na opinião dela, se transforma em cada livro publicado. Já Michele ressaltou a importância da escolha da autora da obra ao indicar a condição de uma mulher escrevendo uma carta para outra, mesmo com as diferenças de classes (afinal, uma delas era a tal rainha louca). As características históricas retratadas no livro também chamaram a atenção de quem esteve no encontro e Claudia lembrou até da expressão “Maria vai com as outras”, que nasceu supostamente do comportamento da rainha do título.  Para ler um trecho do livro, que é dividido em quatro partes, clique aqui.

Em 2001, Maria Valéria lançou seu primeiro livro de ficção, Vasto nundo. Dela, a Editora Objetiva publicou O voo da guará vermelha e Modo de apanhar pássaros à mão. Quer saber mais sobre a escritora e o título do Clube de maio? Clique aqui, em link de entrevista indicado pela equipe que conduziu o encontro, e confira vídeo que teve trecho também exibido durante o encontro. É possível conferir ainda um bate-papo com a autora de Carta à Rainha Louca em seminário internacional realizado no ano passado pelo Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo, no ano passado, e disponível no Youtube. No vídeo, ela trata da importância e da presença da literatura na vida dos brasileiros:

Quer participar do próximo Clube de Leitura da BVL? O encontro online está marcado para o dia 26 de junho, das 15h às 17h e, para fazer parte do debate, inscreva-se a partir das 10h do dia 16 de junho pelo link www.bvl.org.br/inscricao. As vagas são limitadas (confira a disponibilidade) e os primeiros inscritos receberão um link da editora para baixar o livro gratuitamente. A atividade é realizada em parceria com a Companhia das Letras.

Importante lembrar que as atividades presenciais da bibliotecas estão suspensas e você fica por dentro da nossa programação com oficinas, cursos, bate-papos com escritores, entre outras oportunidades online, aqui, em nosso site e também nas redes sociais: https://www.facebook.com/BVLbiblioteca/ e https://www.instagram.com/bvlbiblioteca/.

 

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