João Anzanello Carrascoza: romances na vida de um contista
20 DE maio DE 2024
Crédito: SP Leituras A
Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) recebeu o escritor João Anzanello
Carrascoza, no último da 18 de maio, para um bate-papo literário durante o
Segundas Intenções. O encontro, conduzido pelo jornalista e crítico literário
Manuel da Costa Pinto, destacou o percurso do autor no gênero romance, tendo
como ponto de partida o Inventário do azul (2022) e O Céu Implacável
(2023), seus dois últimos lançamentos, publicados pela editora Alfaguara. E
claro, não ficou de fora a extensa lista de obras literárias produzidas ao
longo de toda sua trajetória acadêmica, como professor, publicitário e poeta. Nesta
conversa, o autor
ainda explicou como a escrita e a publicidade convergem no seu processo
criativo e o que sua história de vida tem a ver com isso.
Nascido
em Cravinhos, interior de São Paulo, João Carrascoza mudou-se para São Paulo logo
cedo para cursar publicidade, trabalhando como redator por décadas em grandes
agências publicitárias. A escrita também vem de longe, até hoje. Escreve romances
e livros de contos, tendo participado de programas internacionais de escritores
residentes e conquistado os mais prestigiosos prêmios literários brasileiros –
como Jabuti, APCA, Fundação Nacional do Livro Infantil e
Juvenil (FNLIJ), e da Fundação Biblioteca
Nacional., entre outros. Também se dedica à docência na ESPM
e na escola de Comunicações e Artes da USP, na qual se graduou e obteve títulos
de mestre e doutor.
E para começo de conversa, o convidado agradeceu a
todos os participantes por estarem presentes em uma biblioteca numa tarde de
sábado, um dia tão cheio de eventos pela cidade, para um encontro sobre
literatura - “uma experiência de interioridade, tanto para quem escreve como
para quem lê”, enfatizou. Nessa perspectiva, Carrascoza falou sobre seus romances e os processos introspectivos
ligados à literatura. “Na
ficção, as próprias experiências ou aquelas vividas por outras pessoas são
capturadas e somadas à capacidade de metabolizar, evocar e transfigurar a
realidade, modificando fatos por meio de elementos da narrativa”, disse.
Tendo uma
trajetória notável no gênero conto, o autor afirma continuar na busca de
narrativas breves, textos curtos e concisos nos seus romances, que abordam
temas existenciais recorrentes em toda a sua obra, como a ausência, a perda, o silêncio, a memória, o tempo, a vida e a
morte, sempre a partir de situações cotidianas. A inspiração vem das histórias
de familiares, de amizades e até as imaginadas.
Dificuldades
de passar do conto para o romance? Para o Carrascoza, a resposta é não. “O
conto é mais episódico, e o romance é mais coletivo, polifônico. Ele concorda
com a metáfora de que ‘o conto está para um recital assim como o romance está
para uma orquestra’; ou de que ‘contos são veredas, criam um universo reduzido;
já o romance é o próprio sertão veredas’.
Sobre
romances
Carrascoza
nos conta que os romances Inventário do azul e O Céu Implacável
estão interligados. Publicado em 2022, o protagonista da
primeira obra é um homem sem nome que perdeu o pai ainda na infância, quando
morava no interior, e trabalha como escritor e professor universitário. Atravessado por lembranças e reflexões, ele recria seu ciclo de
vida, momentos de felicidade e melancolia. Já em 2023, com O céu implacável, Carrascoza retorna aos
personagens de Inventário
do azul para tratar da história de distanciamento e solidão de
um homem que, ao completar sessenta anos, se vê diante da possibilidade do fim,
em uma situação de confinamento em casa por conta da pandemia, em que ele
encontra os filhos somente pelas conversas online.
A lista de romances não termina por aí, com
destaque para a Trilogia do adeus, uma série de livros que fala da relação
fragmentada das famílias. No primeiro livro, Caderno de um ausente
(vencedor do prêmio Jabuti 2015), o pai João escreve uma longa carta para a
filha recém-nascida, Beatriz, para o caso de não estar presente no futuro dela.
Já no segundo volume, menina escrevendo com pai, é Bia quem responde,
narrando a vida e o relacionamento dos dois. Por fim, em A pele da terra,
Mateus, filho mais velho de João e irmão de Bia, narra sua relação com o
próprio filho, outro João, durante uma peregrinação.
Catálogo de Perdas
O livro Catálogo de perdas (2017),
narrativas diversas sobre perdas escritas por João Anzanello Carrascoza e
fotografadas por Juliana Monteiro Carrascoza, mereceu um capítulo à parte durante
o encontro, com a fala Juliana aos presentes. Ela explicou como as histórias do
livro podem ser fruídas ao proporcionar uma dupla experiência estética, a
textual e a fotografia.
Para assistir na íntegra essa e outras edições do programa acesse o canal da BVL no Youtube.
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