17º Seminário Internacional Biblioteca Viva debate sustentabilidade e marca o lançamento do selo editorial e audiovisual SP Leitores
10 DE junho DE 2026
Crédito: Anderson Nascimento / SP Leituras O Centro de Convenções Rebouças recebeu 09 de junho, terça-feira, o primeiro dia do 17º Seminário Internacional Biblioteca Viva. Com o tema Bibliotecas Verdes: Consciência Socioambiental e Ação Cidadã, o evento reuniu cerca de 460 profissionais, gestores e pesquisadores do segmento para debater o papel das bibliotecas públicas diante da crise socioambiental — e marcou o anúncio público do SP Leitores, novo selo editorial e audiovisual da SP Leituras, cujo primeiro título, Notas de Biblioteca #19 — Vivas, Verdes e Sustentáveis, foi distribuído gratuitamente aos participantes.
A abertura contou com as falas de Valéria Valls, presidente do Conselho de Administração da SP Leituras, e de Jenipher Queiroz de Souza, diretora de Difusão, Formação e Leitura da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Em seu discurso, Valéria Valls destacou o papel das bibliotecas como agentes de transformação social e ambiental e celebrou o reconhecimento internacional do Percurso Mata Atlântica, da Biblioteca Parque Villa-Lobos — finalista do IFLA Green Library Award 2026 e premiado entre as dez melhores campanhas do mundo pelo IFLA PressReader International Marketing Award. "As bibliotecas têm mostrado que é possível fazer florescer novas formas de viver e conviver", afirmou.
Vivian Puerta (Why Sustainability, Colômbia): "Quando a EDS é integrada de modo transversal, a biblioteca deixa de ser um espaço onde se consulta sobre sustentabilidade para se tornar um espaço onde a sustentabilidade é vivida"
A palestra inaugural foi conduzida por Vivian Puerta (Why Sustainability, Colômbia), responsável por liderar o ecossistema que posicionou a Biblioteca EPM de Medellín como a Melhor Biblioteca Verde do Mundo em 2023. Puerta apresentou um modelo de quatro pilares para a transformação verde das bibliotecas, governança, infraestrutura, educação para o desenvolvimento sustentável e articulação comunitária, e defendeu que qualquer biblioteca, independentemente do porte, pode iniciar esse caminho. "Quando a EDS é integrada de modo transversal, a biblioteca deixa de ser um espaço onde se consulta sobre sustentabilidade para se tornar um espaço onde a sustentabilidade é vivida", destacou a especialista.
A mesa-redonda sobre sociobiodiversidade reuniu Alberto Calil Elias Junior (UNIRIO), Marise Teles Condurú (UFPA) e Sylvia Guimarães (Associação Vaga Lume). Marise apresentou experiências de projetos de extensão com comunidades ribeirinhas e quilombolas, onde a biblioteca atua como centro de práticas sustentáveis, da gestão de resíduos à educação ambiental adaptada à geografia local. Sylvia compartilhou a metodologia da Associação Vaga Lume, que há 25 anos promove acesso à leitura em municípios remotos da Amazônia, defendendo a biblioteca comunitária como espaço de encontro com saberes tradicionais e oralidade, sob gestão das próprias comunidades. Calil Elias Junior trouxe uma reflexão sobre a biblioteca como agente essencial no enfrentamento da "policrise" climática, conectando eventos extremos recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul, à urgência de garantir o direito à informação socioambiental e combater o negacionismo climático.
No período da tarde, Patricia Constante Jaime (Faculdade de Saúde Pública da USP), com mediação de Bel Santos Mayer (Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário), discutiu a alimentação como direito e o papel das bibliotecas na difusão de políticas públicas de segurança alimentar. A especialista defendeu o Guia Alimentar para a População Brasileira como referência internacional de resistência ao avanço dos ultraprocessados e destacou iniciativas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) como exemplos de políticas que conectam saúde individual, agricultura familiar e sustentabilidade. Nesse cenário, as bibliotecas emergem como aliadas no resgate de culturas alimentares tradicionais e no combate à desinformação.
Marilena Nakano, Bel Santos Mayer e Hermes de Sousa (Instituto Nova União da Arte), no painel Escutar e ler os territórios: oralidade e saberes tradicionais
Na mesa-redonda sobre oralidade e saberes tradicionais, Bel Santos Mayer e Hermes de Sousa (Instituto Nova União da Arte) trouxeram relatos ancorados na ancestralidade e na resistência de territórios como Parelheiros e União de Vila Nova. "São memórias de silêncios, de palavras ditas a boca pequena, que agora reivindicamos como saber e ciência", defendeu Bel sobre o saber tradicional que deve ser reconhecido como ciência legítima. Hermes narrou seu processo de transformação pela arte, iniciado em uma cela de detenção: "Eu aprendi a escutar a voz do silêncio. Olhei para um pedaço de madeira e vi a cabeça de um cavalo; ali começou meu renascer". A mesa reafirmou a biblioteca como espaço de escuta ativa, onde o morador é produtor legítimo de conhecimento.
O encerramento do primeiro dia incluiu sessões de painéis com projetos práticos de diversas regiões do país, entre eles o percurso educativo Mata Atlântica, a iniciativa Favela da Erundina, uma comunidade leitora e o projeto A perspectiva dos pássaros – Desinformação e Biosferas. Ao longo do dia, os participantes também puderam conhecer os seis projetos exibidos na sessão de pôsteres digitais.
O anúncio do SP Leitores foi outro marco da programação. O primeiro selo editorial e audiovisual voltado às políticas públicas de leitura e literatura do Estado reunirá produções como a publicação Notas de Biblioteca, o podcast BibliONCast e documentários institucionais, ampliando o alcance do conhecimento produzido pelas bibliotecas paulistas. O 17º Seminário Internacional Biblioteca Viva continua amanhã, 10 de junho, com debates sobre descolonização, saberes indígenas e inovação na gestão de bibliotecas públicas.
Valéria Valls apresenta a primeira publicação do novo selo editorial e audiovisual SP Leitores
Serviço
17º Seminário Internacional Biblioteca Viva - Bibliotecas Verdes: Consciência Socioambiental e Ação Cidadã
10 de junho de 2026
Centro de Convenções Rebouças
11 de junho de 2026
Biblioteca de São Paulo e Biblioteca Parque Villa-Lobos
Evento gratuito
Programação completa e inscrições:
Notícias
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