Histórias de rejeição
26 DE novembro DE 2014“Seu manuscrito é bom e original. Mas onde é bom não é original, e onde é original não é bom”.
Esta é a cáustica mensagem com que Samuel Johnson, crítico literário e ensaísta, liquidava os manuscritos enviados a ele por escritores em começo de carreira.
Muitos autores já fizeram as contas de quantos obstáculos tiveram de enfrentar antes de se afirmarem como tal. Muitas obras demoraram para serem apreciadas antes de se tornarem best sellers.
Exemplos? “Não é adequado ao mercado dos jovens”, era a consideração que acompanhava a negativa a Moby Dick, o célebre livro de Melville. E ainda, “O seu livro não interessa a ninguém”, disse a editora W.H. Allen&Company ao escritor inglês Frederick Forsyth, negando-se a publicar O dia do chacal (mais de dez milhões de cópias vendidas)
J.K. Rowling precisou engolir oito nãos antes que o nono editor aceitasse lançar uma tiragem pequena das aventuras de Harry Potter. O resto é história.
Cem anos de solidão, de Gabriel García Marquéz também foi rejeitado pela Seix Barral de Barcelona; A história de Fernão Capela Gaivota, de Richard Bach, foi negado por 18 editoras dos Estados Unidos; o primeiro livro em que cujo protagonista é ninguém menos que Sherlock Holmes foi rejeitado por três editoras. Ulisses, de James Joyce, foi considerado uma “chatice mortal” por uma editora da Hogarth Press, que acrescentou: “irritou-me este estudante que coça os furúnculos”. A editora em questão era Virginia Woolf.
“É uma história anticomercial”, disseram sobre A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón. O livro já vendeu oito milhões de cópias.
O poderoso chefão, de Mario Puzo, colecionou muitas negativas ilustres (das principais editoras italianas, como Rizzoli, Mondadori, Bompiani e Feltrinelli). Todas se reportavam mais ou menos do mesmo modo ao livro, “vulgaridade”, “crueza”, “violência”, “estupidez”. Mais conhecida é a saga de O leopardo. Tomasi di Lampedusa, o autor, não chegou nem a ver o sucesso de seu livro. Rejeitado tantas vezes, o romance foi publicado postumamente.
“Eu gosto como você escreve, pena que são idiotices”, escreveu o crítico italiano Goffredo Fofi ao jovem escritor que lhe pediu uma opinião sobre seu livro. Mas acrescentou: “Estou vendo de onde você escreve a sua carta, então se aproxime da janela e conte-me o que você vê. Depois conversamos”. O escritor assim o fez, descreveu sua terra e deste conselho nasceu o livro Gomorra. O jovem autor era Roberto Saviano.
As duas primeiras obras de Susanna Tamaro receberam 26 nãos. Dentre todas as “motivações” enviadas, a editora Einaudi lhe disse: “a única coisa admirável nela é a teimosia de acreditar que é capaz de escrever”.
Deve ser mesmo a teimosia o segredo para conseguir as coisas. Como dizia Winston Churchill, “o sucesso é habilidade de passar por uma série de falências sem perder o entusiasmo”.
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