Tarso de Melo dá dicas para quem quer escrever e ler poesia
13 DE julho DE 2021
Para Melo, mais importante do que as sugestões de bibliografia básica para quem quer começar a estudar poesia, é que cada um aventure-se livremente pelos livros e construa seu próprio repertório. "Eu poderia indicar alguns que são fundamentais para mim e que, por isso, certamente aparecerão na oficina (Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, João Cabral de Melo Neto, a poesia concreta, Paulo Leminski, Orides Fontela, Ana Cristina Cesar, Mano Brown, entre outros), mas essas são algumas das portas para o universo da poesia, que é imenso, vastíssimo, em todas as línguas e culturas, e, no fundo, sempre exige que cada leitor (e ainda mais cada leitor-poeta) encontre seu próprio mapa para explorá-lo", complementa.
Sobre os expoentes contemporâneos do gênero literário, Melo ressalta a qualidade e quantidade de obras. Para ele, "em todo o País, neste momento, há uma infinidade de poetas escrevendo e publicando, e eles são das mais variadas gerações (poetas como Augusto de Campos, aos 90 anos, e Leonardo Fróes, aos 80 anos, produzindo e convivendo com todas as gerações que vieram depois das suas)". Vem dele duas dicas de escritores que tem acompanhado com o maior interesse: Ricardo Aleixo e Ana Martins Marques. Confira, a seguir, uma galeria com alguns dos livros disponíveis de Aleixo e Ana em nosso acervo físico:
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Ritmo e rima
"Uma das grandes marcas da poesia moderna (penso aqui nas transformações que a poesia começa a viver na segunda metade do século XIX e que vão explodir em todo o mundo no século XX) é a liberdade que os poetas têm diante das chamadas formas fixas e dos recursos da versificação tradicional", ressalta Melo. "Não é que os poetas abandonem simplesmente o que a poesia era até ali, mas eles começam a inventar e explorar uma variedade formal quase sem limite: isso vai dar não apenas no 'verso livre', atravessando as mais variadas experiências até nossa época. Os poetas encontram-se, então, absolutamente livres para inventar a forma dos seus poemas, misturar recursos, inventar outros, bagunçar e reorganizar, mas isso, sem dúvida, passa por conhecer a variedade de recursos que os poetas inventaram e usaram até aqui", complementa. Para ele, "não há caminho melhor – e essa é minha dica para quem quer aprender sobre ritmo, rima etc. – do que ler com muita atenção outros poetas, o máximo de poesia possível, para ver como os poetas fizeram antes".
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Tarso de Melo. Foto: Divulgação.[/caption]Melo compartilha ainda como nasceu sua paixão pela poesia: "Até onde me lembro, começa com a música, prestando atenção nas letras, interessado no que aqueles artistas tinham a dizer. Então começam a surgir os nomes de 'poetas de livro', que não era o meu universo até a adolescência. Lembro muito de um exemplo: eu ouvia muito um grupo chamado The Doors e um dia comprei uma biografia do cantor, o Jim Morrison, um livro que vendia em banca de jornal chamado 'Jim Morrison por ele mesmo' (uma coleção de livros sobre grandes personalidades). Foi a primeira vez em que li os nomes dos 'poetas malditos' franceses, Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé, entre outros". "Fiquei doido por aquilo e fui correndo para a livraria: nunca mais voltei!", conta.
Quer saber ainda mais sobre Melo? Confira webinar sobre literatura brasileira conduzido por ele e o crítico literário, prosador, tradutor e editor Marcelo Lotufo, clicando aqui.
Ler-escrever poesia: oficina - Atividade on-line. Dias 28, 29 e 30 de julho, das 15h30 às 17h30. Com Tarso de Melo. Indicada para maiores de 16 anos. Vagas limitadas. Inscrições em www.bvl.org.br/inscricao.
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