Itamar Vieira Junior traça diálogo de sua obra com questões sociais da atualidade
03 DE novembro DE 2021
Crédito: Adenor Gondin Na noite de 28 de outubro, a Biblioteca Parque Villa-Lobos e o projeto Literatura Brasileira no XXI receberam Itamar Vieira Junior para uma roda de conversa on-line em torno do seu aclamado livro Torto Arado. O bate-papo aconteceu com a mediação do poeta, compositor, crítico e professor de Literatura Brasileira da Unifesp, Pedro Marques, e teve como convidados para a sabatina Adriara Ferraz, Carina Carvalho, Cristiane Baptista, Fábio Betioli Contel, João Samuel Rodrigues dos Santos Junior, Lilian Borba, Luís Fernando Telles e Maurina Lima.
Torto Arado, o centro do debate, se tornou um best seller brasileiro e desde janeiro de 2021 encabeça a lista de livros de ficção mais vendidos da Nielsen-PublishNews. A história das irmãs Belonísia e Bibiana, que vivem em uma comunidade quilombola, também conquistou os prêmios Leya, Jabuti e Oceanos.
Pedro Marques abriu a atividade lembrando da atualidade dos temas levantados pela obra e da convergência com datas importantes do mês de outubro: Dia da Leitura, Dia do Professor e Dia Internacional do Livro.
Itamar Vieira Junior comentou sobre a sua relação afetiva com o que escreve e da sensação de ter uma história publicada com tantos leitores. “Ter um livro lido é como se cada leitor trouxesse notícias sobre as personagens. Quais percursos elas estão fazendo nesse mundo, que pessoas estão encontrando e como as histórias reverberam em quem está lendo”, contou.
Como geográfico, Itamar Vieira Junior falou sobre suas viagens para o campo, principalmente no nordeste brasileiro onde encontrou a realidade de pessoas exploradas e em locais reclusos. O desejo dele era que sua obra, além de tocar as pessoas profundamente, refletisse a realidade e as transformações pelas quais o país passou nos últimos anos.
O autor citou o livro Tornar-se negro, da escritora Neuza Souza Santos, para contar como os povos do campo passaram a se identificar como quilombolas. Durante a conversa ainda ressaltou o papel fundamental das professoras na construção identitária. “As professoras instrumentalizam seu povo para compreender a própria realidade, de alguma maneira a personagem Bibiana faz isso também”, disse.
Para finalizar, João Samuel Rodrigues dos Santos Junior fez a leitura de um trecho do livro e Itamar Vieira Junior comentou sobre as questões relacionadas à terra e ao território apontadas na passagem.
Confira o bate-papo completo!
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