Estevão Azevedo, Micheliny Verunschk e Débora Ferraz vencem o Prêmio São Paulo

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Tempo de Espalhar Pedras (Cosac Naify), do potiguar Estevão Azevedo, foi eleito pelo júri do Prêmio São Paulo de Literatura o Melhor Livro do Ano, enquanto a pernambucana Micheliny Verunschk, com Nossa Teresa – Vida e Morte de uma Santa Suicida (Patuá), foi contemplada na categoria Autor Estreante +40 e Débora Ferraz, também pernambucana, recebeu prêmio na categoria Autor Estreante -40, com o romance Enquanto Deus Não Está Olhando (Record). Realizado pelo Governo do Estado de São Paulo, o Prêmio anunciou seus vencedores na noite nesta segunda-feira (30 de novembro), durante cerimônia na Biblioteca Parque Villa-Lobos, em São Paulo.

Estevão receberá o prêmio de R$ 200 mil, enquanto as autoras estreantes levam R$ 100 mil cada. Esta contou com 215 obras inscritas e se destacou pelo alcance nacional: foram 21 finalistas de nove estados brasileiros – Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná e São Paulo. A presença feminina entre os finalistas também é recorde: 10 mulheres disputaram o prêmio, sendo duas na categoria Melhor Livro do Ano, seis na submodalidade Autor Estreante -40 e outras duas na submodalidade Autor Estreante +40.

O Prêmio São Paulo de Literatura tem como premissa incentivar a produção literária e a difusão da leitura, contribuindo para a formação de novos leitores. Também se destaca por reconhecer os grandes nomes da literatura brasileira contemporânea – as obras concorrentes são de ficção, no gênero romance, escritos originalmente em língua portuguesa, com primeira edição mundial no Brasil em 2014. Atualmente, o Prêmio São Paulo de Literatura é o maior do país em valor de premiação individual: R$ 200 mil para o Melhor Livro do Ano e R$ 100 mil para cada autor estreante nas submodalidades +40 e -40.

Vencedores

Com Tempo de Espalhar Pedras (Cosac Naify), Estevão Azevedo recebeu o prêmio de Melhor Livro do Ano. Em 2009, o escritor, nascido em Natal/RN, foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura com seu primeiro romance, Nunca o Nome do Menino (Ed. Terceiro Nome). Para o júri, Azevedo se destacou entre os concorrentes pelo “amplo domínio da maestria narrativa e ficcional”, com um texto surpreendente, que se inscreve na melhor tradição do romantismo brasileiro e do realismo modernista nordestino.

Já em Nossa Teresa – Vida e Morte de Uma Santa Suicida (Patuá), Micheliny Verunschk marca sua estréia no gênero romance com obra que gira em torno de temas como suicídio, herança familiar, fé e crenças populares. Para o júri, o livro é um “romance desconfortável sobre a condição humana, com frases ora poéticas, ora prosaicas como um papo de bar”.

Também vencedora do Prêmio Sesc de Literatura 2014, Débora Ferraz escreveu em Enquanto Deus Não Está Olhando temas como perda e insegurança no ingresso à idade adulta. O livro narra, de forma não linear, a história de uma jovem em busca de seu pai, que fugiu do hospital. Para o júri, Débora é uma escritora talentosa, com voz própria e que domina a narrativa extensa e dramaticamente densa. O tema da obra foi avaliado como “universal e perfeitamente adaptado a uma realidade local e geracional da juventude no Nordeste brasileiro contemporâneo, mas que poderia ser em qualquer outro hemisfério ou país”.

Júri final

O Júri final do Prêmio São Paulo de Literatura, responsável pela definição dos três vencedores dentre os 21 finalistas, foi composto por cinco profissionais ligados ao segmento literário: Francisco Foot Hardman, historiador e professor do Departamento de Teoria Literária da Unicamp, Jiro Takahashi, professor das disciplinas Literatura, Leitura e Produção de Textos e Estilística do curso de Letras do Centro Universitário Ibero-Americano, Maria Fernanda de Carvalho Rodrigues, repórter e colunista de literatura do jornal O Estado de S. Paulo, Rogério Pereira, fundador do jornal Rascunho, de Curitiba, especializado em literatura, idealizador do Paiol Literário e diretor da Biblioteca Pública do Paraná, e Sylvia de Albernaz Machado do Carmo Guimarães, co-fundadora da ONG Vaga Lume, que promove intercâmbios culturais por meio de leitura, escrita e oralidade.

Sobre o Prêmio São Paulo de Literatura 2015

Criado em 2008 pelo Governo do Estado de São Paulo, o Prêmio São Paulo de Literatura é o maior do País em valor individual e tem como principais objetivos incentivar a produção literária de qualidade, apoiar e valorizar novos autores e editoras independentes, além de incentivar a leitura.

Ao todo, 215 livros entraram na competição: 111 de autores veteranos e 104 de autores estreantes. Esta edição contou com um aumento de 40% nas inscrições em comparação ao ano passado, quando 153 livros disputaram o prêmio – 67 obras na categoria “Melhor Livro” e 86 obras de Autores Estreantes.

Desde que foi criado, o Prêmio teve participação de mais de 1.200 livros e premiou 16 romances, contribuindo de forma decisiva para dar visibilidade não só às obras vencedoras, mas também aos trabalhos finalistas.

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