Flip 2018: Hilda Hilst será a homenageada

0

Pela terceira vez em sua história, a Flip vai homenagear uma mulher. A curadora Josélia Aguiar escolheu Hilda Hilst para encabeçar a programação da 16ª da Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre 25 e 29 de julho de 2018. Hilda, que morreu em 2004, aos 73 anos, transitou pela poesia, pela ficção, pela crônica e pelo teatro, passeando por temas como o amor, a morte, Deus, a finitude e a transcendência. Algumas de suas obras mais famosas são “Cantares de perda e predileção” (poesia), “Rútilo nada” (ficção) e “A obscena senhora D” (ficção).

“Como o Lima Barreto, homenageado de 2017, Hilda Hilst é uma autora há muito tempo esperada pelo público da Flip, então foi uma escolha de certa forma natural”, explica Josélia, em entrevista ao Globo. “A obra dela precisa ser mais conhecida, já que ainda não se enquadra entre os cânones da nossa literatura.”

Segundo Josélia, em sua segunda edição à frente da Flip, o evento vai manter a preocupação com uma programação mais diversa, ponto forte em 2017. E isso começa com a escolha de uma mulher como homenageada — além de Hilda, o evento só homenageou Ana Cristina Cesar, em 2016, e Clarice Lispector, em 2005. A curadora destaca ainda a personalidade e a ligação de Hilda com o teatro.

Outro fator que chamou atenção da curadora foi a difusão da obra de Hilda nas redes sociais, embora sua literatura seja considerada difícil.

“Ela está muito presente na internet, suas falas e frases aparecem muito nas redes sociais, o que faz com que ela esteja sendo redescoberta por leitores mais jovens.”

Segundo Josélia, até a Flip toda a obra de Hilda deve estar disponível em catálogo. Além dos livros de entrevistas, de propriedade da Globo Livros, e da prosa e poesia completas, lançadas pela Companhia das Letras (que está preparando uma biografia da autora, escrita por Ana Lima Cecílio, prevista para 2020), devem chegar às prateleiras o teatro completo, textos inéditos e cartas. As obras, de propriedade do Instituto Hilda Hilst, estão sendo negociadas por outras três editoras.

“Queremos que ela seja cada vez mais lida e debatida. É desafiador falar sobre ela. Teremos que explicar melhor a obra e assim contribuir para o entendimento de uma autora que ainda não é muito conhecida do grande público.”

Fonte: O Globo
Compartilhe

Deixe um Comentário