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Clube de Leitura Mulheres Negras na Biblioteca discute obra de Jarid Arraes

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Conduzido pelo Coletivo Mulheres Negras na Biblioteca, o Clube de Leitura realizado na sexta, 12 de junho, dentro da programação da Biblioteca Parque Villa-Lobos, foi centrado na obra da escritora e cordelista cearense Jarid Arraes. O grupo foi idealizado por profissionais de Biblioteconomia e Letras, que se dedicam a promover atividades culturais a fim de contribuir para a formação e aumento do público leitor de autoras negras.

A autora de “Um buraco com meu nome”, “As lendas de Dandara”, “Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis” e “Redemoinho em dia quente” ouviu a leitura de alguns de seus contos e conversou diretamente com o público presente na sala virtual. O encontro teve a mediação das bibliotecárias e educadoras Carine Souza, Juliane Sousa e Beatriz Nogueira, do Coletivo Mulheres Negras na Biblioteca.

Participaram do Clube de Leitura na BVL mais de 50 pessoas, a esmagadora maioria de mulheres. Havia gente da capital paulista, do interior, como Carapicuíba e São José dos Campos, e de vários outros Estados, como Amazonas, Bahia, Ceará, Rio de Janeiro e Piauí. Aline Marques, uma das participantes, deixou uma mensagem no chat da transmissão dizendo: “Projeto mais que necessário. A literatura é vida, a literatura negra é libertadora e nos tira da ignorância”.

Jarid Arraes - crédito Divulgação (2)

Para primeira leitura, foi escolhido o conto “Boca do Povo”, do livro “Redemoinho em dia quente”, cuja estrutura foge do tradicional por ter a narrativa composta no formato de verbetes de dicionário. Os contos de Jarid misturam realismo, fantasia, crítica social e uma capacidade de colocar luz na vida das mulheres da região do Cariri, no Ceará.

“Quero ser justa com o Cariri”, diz a autora, ao falar da presença do estereótipo da beata entre os personagens do livro. “Porque existe aquela mulher devota, ela também faz parte disso. Ela se relaciona com o inconsciente. Dei um jeito nisso colocando mais humor, absurdo e fantasia. Faz parte do processo de trazer essas mulheres do sertão à luz.”

Fernanda Antunes, uma participante que se apresentou como nordestina, disse que ficou emocionada com o conto. “Este livro me leva para as paisagens nordestinas. Há muito tempo uma obra não me leva para o Nordeste. Uma autora Nordestina escrevendo e descrevendo o Nordeste, e o feminino no Nordeste eu nunca tinha lido! Amoooo! Esse texto descoloniza nossos olhares!”, escreveu ela.

A BVL continua com atividades presenciais suspensas, mas em nosso site e nossas redes sociais há sempre novidades.

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