Bate-papo sobre reportagens em zona de conflito e romance improvável

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O bate-papo com a jornalista Patrícia Campos Mello, no último sábado, dia 9, no programa Segundas Intenções, deu a medida exata do que é a profissão de repórter. Muita adrenalina num cotidiano movido pela paixão de contar histórias de vida.

Patrícia é autora do livro Lua de Mel em Kobane, (Companhia das Letras, 2017) que narra o romance improvável – e real – de um casal de jovens sírios que se conhece pela internet. Ele é Barzan, um jornalista que luta pela independência dos curdos e vive exilado na Turquia. Ela é Rauschan, uma estudante de direito que abandona os estudos em Alepo depois que a cidade é palco de muita violência provocada por extremistas religiosos.

No encontro na Oca, moderado pelo jornalista Manuel da Costa Pinto, Patrícia revelou que antes do livro, existia uma outra história para ser contada.  Foi uma foto que levou a jornalista, que é repórter especial da Folha de S. Paulo, à Síria. A fotografia que rodou o mundo era do garotinho de 3 anos Alan Kurdi, que junto com a família fugia da guerra na Síria e morreu afogado numa praia tentando chegar à Grécia.

O impacto da imagem e o desejo de compreender as motivações de milhares de pessoas a arriscarem a vida numa situação tão extrema, impulsionaram a jornalista.

Uma plateia atenta e cheia de perguntas queria saber se Patrícia sentia medo de trabalhar em áreas de conflito. Entre as perguntas, por exemplo, queriam saber como fazia para sobreviver, se o que mais se vendia para os refugiados eram coletes salva-vidas recheados de papelão? O pano de fundo histórico também interessou o público, que aproveitou para compreender a complexa trama entre religião e poder que se dá naquela região.

Para entrevistar os refugiados, ela precisava mais do que um tradutor, alguém que no jargão jornalístico chama-se fixer. Patrícia explicou: ele atua como tradutor, mas às vezes é motorista, e, principalmente, um termômetro cultural. Seu fixer era Barzan – futuro personagem do livro.

Barzan acompanhou Patrícia durante todo o tempo em que esteve na Síria. Em paralelo às reportagens sobre os refugiados, ela ia percebendo que o próprio Barzan tinha uma história para contar.

Filha do também jornalista e fotógrafo Hélio Campos Mello, a repórter seguiu o conselho do pai: não seja corajosa demais para arriscar a vida, nem covarde demais para voltar sem a matéria.

Patrícia tem seguido seus conselhos à risca.

https://twitter.com/camposmello

Para conferir este e outros encontros do Segundas Intenções, acesse nosso canal do Youtube, clicando aqui. 20190309_113321

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