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Rodrigo Ribeiro Barreto analisa o lugar LGBTQIA+ no videoclipe brasileiro

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A oficina online intitulada “O lugar LGBTQIA+ no videoclipe brasileiro contemporâneo”, com o professor Rodrigo Ribeiro Barreto, teve início no sábado, 3 de abril, com uma análise mais abrangente e explanações sobre a representação genérico-sexual nessas produções audiovisuais no mundo. A atividade, que conta com novos encontros também nos dias 10, 17 e 24 de abril, faz parte do Literatura Brasileira no XXI, projeto realizado em parceria com a Unifesp.

As aulas visam apresentar um recorte histórico da produção brasileira de videoclipes, na segunda década do século XXI, quando se intensificou a atuação de artistas assumidamente pertencentes à comunidade LGBTQIA+. Nessa abertura dos trabalhos, Barreto detalhou questões como identidade e expressão de gênero, orientação sexual e comportamento, além de exemplos de vídeos disponíveis no YouTube.

Barreto começou por desdobrar a sigla LGBTQIA+:

Reprodução.

Reprodução.

O lugar, indicado no título da oficina, também mereceu explicação, pois Barreto acredita que esse espaço LGBTQIA+ refere-se não só à oportunidade e visibilidade de direito para a comunidade, como também à disposição de agentes da cultura pop e da representação cultural dentro desse setor. Sobre representatividade, o professor tratou da polêmica questão de atores e atrizes que não são obrigatoriamente LGBTQIA+, mas interpretam personagens homossexuais e transexuais, por exemplo. Para ele, é necessário não perder de vista igualmente a questão econômica, de oportunidade de trabalho para esses protagonistas das produções.

Barreto traçou um histórico do surgimento dos videoclipes que, desde a década de 1980, são campo fértil tanto para a indústria cultural (dos gêneros/ritmos de massa) quanto para as correntes culturais consideradas alternativas. O domínio da força da performance encontrou seu ambiente ideal nessas produções, como ressaltou. E da televisão para a Internet, com o YouTube, o crescimento não passou sem que a indústria reconhecesse sua importância. Entre as referências de estudiosos do tema, especificamente ou dos assuntos relacionados com a oficina, Barreto citou “Gender Politicts and MTV”, de Lisa A. Lewis (sobre as obras de Pat Benatar, Cindy Lauper, Tina Turner e Madona), e de Chris Straayer sobre a “mitologia do homem gay”.

As tendências progressistas e transgressoras dos videoclipes também foram alvo das explanações que destacaram as trajetórias de David Bowie e Elton John, personalidades com identidades presumidas ou assumidas. E exibiu as produções “Diaba” e “Montero (Call me by my Name)“, além de citar Linn da Quebrada e Holland, primeiro astro do K-Pop assumidamente gay.

Desde 2014, Barreto é professor-adjunto da Universidade Federal do Sul da Bahia, no campus de Porto Seguro, com atuação na área de Humanidades e Artes. Na UFSB, ele ministra aulas nos seguintes cursos: Bacharelado Interdisciplinar de Humanidades; Licenciatura Interdisciplinar de Ciências Humanas, Sociais e suas Tecnologias e Som, Imagem e Movimento. Seu trabalho pode ser dividido em quatro eixos: interpretação e elaboração de diferentes tipos de obras audiovisuais; discussão de questões estéticas, poéticas e analíticas; abordagens sobre a contemporaneidade e identidades; e questões de gênero e sexualidades. O professor disponibiliza playlists no YouTube e, para conferi-las, clique aqui.

 

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