Oficina sobre poesia tem início com aula sobre ritmo e gatilho de criação

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O bloqueio criativo pode ser um grande problema, principalmente neste tempo de isolamento e preocupações com a pandemia. A questão foi apontada por vários participantes da Oficina Online de Criação Literária: A Poesia do Jogo e o O Jogo da Poesia, que teve início na tarde de sábado (9) e faz parte do projeto Literatura Brasileira Contemporânea no XXI, realizado em parceria com a UNIFESP. O poeta, dramaturgo e ficcionista Marco Catalão, que conduziu o encontro, acredita que o curso pode contribuir para “destravar” e indicar caminhos para que a fluidez da criatividade seja retomada. Entre as estratégias debatidas nesta primeira aula, Catalão apresentou a restrição e a repetição como gatilhos para os textos.

A aula começou com a apresentação de vídeo com a sequência de um jogo de futebol, na qual o professor apontou a relação entre um gol do esportista Grafite e uma obra de arte. Segundo Catalão, o que tornou o lance especial, além do resultado sempre almejado pelos atacantes (o gol), foi o elemento surpresa, o inesperado. Tendemos a achar que algo que não nos surpreenda ao final pareça uma obra menor. E, por isso, a surpresa e reviravolta são sempre bem-vindas no que produzimos.

Baseando-se no trabalho do grupo Oulipo (Ouvroir de Litteráture Pontentielle, algo como ateliê de literatura potencial – formado por Raymound Queneau, Italo Calvino, Georges Perec, entre outros), ele demonstrou como o estabelecimento de regras pode ser um ponto de partida para a criação de textos. E deu um forte exemplo: tente não utilizar uma letra ou uma determinada palavra. O que, aparentemente, pode ser encarado como obstáculo, torna-se um desafio para pavimentar este caminho de construção do conteúdo. “As regras podem ser libertadoras”, segundo ele, salientando que, às vezes, é mais fácil escrever a partir deste conjunto de parâmetros pré-estabelecidos. “A criatividade encontra caminhos, quando apresentamos obstáculos”, destaca.

Ainda na parte teórica do encontro, Catalão compartilhou textos de Manuel Bandeira e de Edgard Alan Poe, entre outros, e introduziu a importância do ritmo na poesia, que também pode resultar da multiplicação de uma mesma frase ou palavra. A aula terminou com um exercício que você pode reproduzir aí, na sua casa também: crie um poema a partir de uma sentença que se repita pelo menos uma vez – “essas não vão voltar”; “e ficarão os pássaros”; “virá a aurora”; “vida feliz”. No final da tarde de estudos, os participantes compartilharam seus textos e trocaram impressões sobre as formas e os temas escolhidos. Importante acrescentar que os conteúdos podem vir a fazer parte de um blog, como resultado das aulas.

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