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Acessibilidade e inclusão são temas de oficina, inscreva-se

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A oficina on-line Mediação de leitura acessível e inclusiva que acontece em 18 de agosto, das 10h às 13h, traz para o centro da discussão as opções de livros disponíveis para pessoas com deficiência. A Biblioteca Parque Villa-Lobos oferece a atividade realizada pela Mais Diferenças em parceria com a Secretaria de Estado das Pessoas com Deficiência

Com uma ampla visão sobre diversos formatos acessíveis, serão tratados marcos legais, políticas públicas e conceitos relativos à inclusão de pessoas com deficiência em contextos educativos e culturais. Os participantes também terão acesso à estratégias e práticas pedagógicas. 

Carla Mauch, ministrante da oficina, é mestra em Psicologia da Educação, fundadora e coordenadora geral da Mais Diferenças. Ela nos ajuda a fazer uma reflexão sobre o impacto da pandemia no acesso à educação de pessoas com  deficiência, os avanços na tecnologia assistiva e as leis e regulamentações vigentes. 

A pandemia dificultou ainda mais a acessibilidade para pessoas com deficiência em termos de acesso à educação? 

Antes da pandemia, o acesso à escola era garantido legalmente, mas havia uma oferta escassa de materiais acessíveis e inclusivos e de estratégias e práticas que considerassem as diferenças entre  estudantes na sala de aula. Com a pandemia, muitas redes públicas, onde se concentra a matrícula de estudantes com deficiência e Transtorno do Espectro Autista, não conseguiram prover os meios e materiais para que todos os estudantes seguissem de alguma forma o aprendizado em casa. A situação foi agravada pelo cenário de exclusão digital e pela dificuldade de realizar uma mediação pedagógica a distância, ainda mais considerando a realidade da maioria das famílias brasileiras. Para estudantes com deficiência, se já nas salas de aula eles e elas enfrentam uma série de barreiras físicas, comunicacionais, pedagógicas e atitudinais, a educação remota imposta pela pandemia significou uma exclusão total para a grande maioria, já que não houve, por exemplo, promoção de amplo acesso à Tecnologia Assistiva, à materiais pedagógicos acessíveis e inclusivos e à recursos de acessibilidade de forma geral. 

Qual o papel da tecnologia no avanço da acessibilidade, principalmente no que diz respeito à leitura? 

A tecnologia amplia as possibilidades de leitura para pessoas que historicamente não tiveram acesso ao livro e à literatura e isso não se restringe apenas às pessoas com diferentes tipos de deficiência. Quando desenvolvemos um livro em múltiplos formatos acessíveis no suporte audiovisual, por exemplo, possibilitamos que pessoas com baixo letramento, que têm o português como segunda língua ou que têm alguma dificuldade para leitura também possam acessar uma obra literária. Isso porque um livro audiovisual acessível pode conter texto e narração, tradução e interpretação em Língua Brasileira de Sinais, legendas, descrição das imagens, texto em Leitura Fácil, possibilitando muitas formas de ler. Além disso, nos últimos anos aumentou consideravelmente a oferta de softwares, aplicativos e equipamentos que possibilitam o acesso às informações, ao livro e à leitura.

Quando falamos em livros acessíveis, qual é a maior dificuldade hoje: produção, custo, etc.? Existe um caminho possível para ultrapassar essa barreira? 

O público com deficiência ainda não é visto pelo mercado como consumidor de livro e literatura, portanto, muitas vezes a produção de livros acessíveis fica restrita ao subsídio governamental e o patrocínio pontual de fundações e institutos. Além disso, os livros audiovisuais em múltiplos formatos acessíveis têm um custo de produção mais elevado, por serem repletos de recursos de acessibilidade, envolvendo não só a aplicação de uma série de tecnologias, mas também a dedicação cuidadosa de uma equipe interdisciplinar para ser respeitoso e responsável com a obra e com as pessoas com deficiência. Quanto a um caminho possível, já estamos avançando, uma vez que o marco legal garante o direito de pessoas com deficiência ao livro e à leitura em diferentes formatos acessíveis. Portanto, não será possível fugir a esse debate, ainda mais quando consideramos a centralidade da leitura e da literatura no processo educacional, que também é direito de toda e qualquer pessoa. Assim, para garantir a Educação Inclusiva prevista em lei, o Estado precisa promover o envolvimento e os esforços de todos os setores sociais na produção, oferta e distribuição de livros acessíveis. 

Qual a importância de espaços, como a biblioteca, para a ampliação do acesso a tecnologias assistivas que possibilitem, além da leitura, a criação artística de pessoas com deficiência?

As bibliotecas são fundamentais para ampliar esse acesso, já que são o equipamento cultural mais presente nos municípios brasileiros. Além disso, são espaços democráticos que possibilitam a convivência, o acesso e o compartilhamento de conhecimentos e informações e podem fomentar o protagonismo das pessoas com deficiência na fruição e criação cultural e artística.  

Ainda há vagas para a oficina on-line de Mediação de leitura acessível e inclusiva que acontece amanhã, 18 de agosto, das das 10h às 13h, inscreva-se aqui

*A atividade contará com interpretação em Língua Brasileira de Sinais.

 

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