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Oficina de criação literária propõe técnicas para iniciação na arte poética

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Para o professor Fábio Martinelli Casemiro, a poesia é a arte que existe nas coisas. Definida como uma função de linguagem, ela tem sido refúgio para muitos, especialmente durante este período de enfrentamento da pandemia, para expressar sentimentos e sensações. Os mais de 30 participantes da Oficina Arte Poética: Demência ou Sobrevivência?, que teve início na primeira semana de setembro, aproveitaram para conhecer melhor este “espaço” de liberdade dentro da literatura.

Com o objetivo de estimular a produção de textos poéticos autorais (em prosa ou em verso), a atividade reuniu conteúdos de variados autores e trouxe até referências de pensadores como o linguista russo Roman Jakobson e produção do escritor brasileiro Manuel Bandeira. Tudo para que cada participante encontre sua própria “voz”. A ideia é dar “uma injeção a fim de provocar a infecção literária, evoé em seus estágios mais terminais”, de acordo com o próprio Fábio.

Para ele, “o poema é um texto grávido de poesia” e a “prosa é a escrita contínua, cursiva”, define. E, misturando teoria e prática, o primeiro dia de aula contou também com a exibição de vídeos do artista Adherrio Laiss disponíveis no Instagram. O professor utilizou as cenas como pontapé inicial para a construção de um primeiro exercício. Os participantes escreveram, então, um texto poético que passará ainda por transformações nas próximas aulas. Fábio quer que os alunos se desafiem, invertendo técnicas na produção do texto e até incorporando trechos em uma terceira pessoa, por exemplo. Tudo para que o conteúdo surpreenda de alguma forma o leitor. Experimente você aí, em casa, também.

Saiba mais sobre o professor

Fábio é poeta, músico, doutor em Literatura pela UNICAMP e pós-doutorando em Teoria Literária pela UNIFESP. Publica seus ensaios, crônicas e poemas no blog “Pamonha Mecânica & Creme de Papaya com Haxixe” (pelo blogspot) e no Tumblr “poetafabiocasemiro”. Em 2015 publicou seu livro de poemas “Innfluenzza Overdrive”. Compartilha vídeo-leituras de poesia (e demais tópicos literários e culturais em forma de vídeo) em seu canal Rádio Palavra no YouTube (áudios disponíveis também em formato podcast, nas plataformas Deezer e Spotfy). Licenciado em Letras pela FACEL e em História pela UNIMEP, ele soma 23 anos de prática pedagógica com ênfase nas disciplinas de Literatura e História, além de experiência nos ensinos fundamental II, médio, pré-vestibular, técnico e universitário.

As aulas da oficina continuam nos dias 3, 8 e 10 de setembro. E, ao final, os participantes produzirão textos poéticos que podem ser publicados em blog do projeto.

 

 

 

Edgar Morin, antropólogo francês compreende o ser humano para além do homo faber, Morin propõe o homo demens. Pervertendo (pelo verso, claro) o antropógolo, podemos concluir que delirar é preciso, viver não é preciso. A literatura e as artes em geral estão repletas de delirantes… Havia quem dissesse que a poesia de Fernando Pessoa era esquizofrênica, já disseram que Augusto dos Anjos era demente e raquítico. Lima Barreto escreveu ficção no sanatório. Já Álvares de Azevedo era um bom menino, mas seus versos eram perversos. Seria a literatura a cura para os doentes? Ou será que a literatura é a doença ela mesma: será o poema um lá maior sempre batendo forte, se atentando contra a sanidade do pobre Robert Schumann? Ou pior: teria o pianista composto tantos lindos lieder sem aquele lá (sempre lá)? Quiçá…

 

 

 

 

 

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