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No Segundas Intenções, Marcelo D’Salete diz que escravidão não foi superada

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Marcelo D’Salete

Entrevistado do Segundas Intenções Online de novembro na BVL, o quadrinista e ilustrador Marcelo D’Salete tem apenas quatro álbuns publicados. Quase todos são relacionados a temas como preconceito social e racial, além de suas origens históricas no país.

“Existe uma fratura histórica no nosso país, que tem a ver com um passado colonial e escravista. Não está só no passado, mas se atualiza no presente”, disse ele, logo no início do bate-papo mediado por Manuel da Costa Pinto. “É o que nós vimos no caso de Porto Alegre, recentemente, em que um homem negro [Beto Freitas] foi espancado até a morte por seguranças do Carrefour. (…) Não é um fenômeno isolado, infelizmente. É uma questão que não superamos. Temos que tentar romper com esse ciclo de violência.”

“Cumbe” (2014), premiado em 2018 com o Eisner na categoria melhor edição americana de material estrangeiro, e “Angola Janga” (2017), agraciado no mesmo ano com o Jabuti de quadrinhos, tratam, ambos, do período colonial brasileiro e a chaga da escravidão.

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Marcelo DSalete e o mediador Manuel da Costa Pinto

D’Salete foi criado no bairro paulistano de São Mateus e, quando adolescente, trabalhou como office boy no centro da cidade. Corria o fim da década de 1990, e muito do que viu em suas andanças transportou para sua obra – direta e indiretamente.

“Muito do que eu via não era retratado nos quadrinhos, nem na música, nem nos filmes”, disse ele, que era um leitor ávido da revista “Chiclete com Banana” e das histórias de seus principais artistas: Angeli, Laerte, Glauco, Luiz Gê e outros.

Um exemplo está no álbum “Encruzilhada”, que foi relançado em 2016 e traz cinco histórias que se entrelaçam. Ambientados em São Paulo, esses relatos reproduzem casos reais, um deles acontecido em 2009, numa unidade do hipermercado Carrefour.

“Um [cara que trabalhava como]segurança estava lá com a mulher e os seguranças do supermercado o abordaram, lavaram-no para uma sala e o espancaram. É possível trabalhar isso como ficção. A ficção permite que a gente consiga trabalhar esses temas. E também refletir sobre essa realidade”, disse ele.

A íntegra do bate-papo, você pode assistir no nosso canal no YouTube ou nesta página:

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