Milton Hatoum na BVL

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Neste sábado, 5 de dezembro, a Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) recebeu o escritor amazonense Milton Hatoum. A atividade integra a programação do Segundas Intenções e foi mediada pelo jornalista e crítico literário Manuel da Costa Pinto. Na conversa, o autor falou da sua trajetória, citou suas referências literárias e contou sobre um novo romance, O lugar mais sombrio, que deve ser lançado em 2016.

O autor também falou das recentes adaptações de sua obra para o audiovisual. Em 2016, será lançada uma minissérie na TV Globo sobre o livro Dois irmãos, que conta no elenco com nomes com Antônio Fagundes, Cauã Reymond e Juliana Paes. A direção é assinada por Luiz Fernando Carvalho. Já na tela grande, está em cartaz o filme baseado na obra Órfãos do Eldorado. A película é dirigida por Guilherme Cezar Coelho e tem Daniel de Oliveira e Dira Paes como protagonistas.

Hatoum também comentou sobre a influência da arquitetura em seus romances e contos. Ele é formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de São Paulo (USP). Sobre este tema, ele diz: “Mudei para a literatura porque o arquiteto não tem toda a liberdade, é cerceado pelo cenário econômico e por pessoas e instituições. Mas os meus textos carregam essa visão que aprendi de uma cidade mais justa e humana. Outros trazem o mito da cidade encantada, que sempre foi o delírio do colonizador “.

Continuou o bate-papo contando sobre suas referências literárias. Afirma que Honoré de Balzac é “uma máquina de escrever”, enquanto ele toma muito tempo burilando a linguagem e a palavra. De William Faulkner toma emprestado a importância que o autor americano dá aos personagens secundários, “fantásticos e complexos”. De Mário de Andrade, gosta tanto do autor como da figura humana e afirma “queria passar uma tarde com ele”. Foi Gustave Flaubert, ele acredita, que criou “a figura mitológica do escritor sofredor”.

Finalizou a sessão com uma confissão: “escrevo a lápis, caneta e papel. Não sei escrever de outra forma. E confesso que não gosto de final feliz: se as coisas vão dar certo, não é romance”, sentencia.

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