Literatura brasileira contemporânea perde alguns de seus grandes nomes

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Oito escritores morreram nos últimos meses no Brasil. Foto: Montagem/ Divulgação

Oito escritores morreram nos últimos meses no Brasil. Foto: Montagem/ Divulgação

Em um mês e meio, as artes perderam muitos de seus principais expoentes no Brasil. A literatura brasileira, em particular, sofreu muito com o desaparecimento de pelo menos oito nomes consagrados. A SP Leituras, organização social que administra as bibliotecas de São Paulo e Parque Villa-Lobos, além do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SiSEB), presta sua homenagem a esses autores:

1- Luiz Alberto Mendes (1952) – Vítima de violência na infância, teve uma adolescência e entrada na vida adulta marcadas pelo crime. Foi na Casa de Detenção que conheceu a literatura. Após cumprir 32 anos de pena, saiu e passou a se dedicar à escrita. Seu principal trabalho é “Memórias de um sobrevivente” (2001), que escreveu na prisão, condenado por homicídio e outros delitos. Antes de morrer, em 8 de abril, após uma breve internação por causa de um aneurisma, ele promovia oficinas de leitura e escrita em penitenciárias e na periferia de São Paulo.

2 – Rubem Fonseca (1925) – Morto em 15 de abril, aos 94 anos, no Rio, vítima de um infarte, é reconhecido como um autor seminal da literatura brasileira contemporânea. Com seu estilo seco e direto, sem meias-palavras ou eufemismos, revolucionou a linguagem literária nos anos 1960, a partir da coletânea de contos “Os prisioneiros” (1963). Consagrou-se também nos romances, formato em que estreou com “O caso Morel” (1973). Seu último trabalho foi a coletânea de contos “Carne Crua”.

3 – Luiz Alfredo Garcia-Roza (1936) – Romancista, contista, professor universitário e psicanalista. Depois de décadas de trabalho na academia, decide arriscar-se na literatura. Estreia em 1996, aos 60 anos de idade, com a novela policial O Silêncio da Chuva, na qual apresenta a personagem do detetive Espinosa, que protagonizará sua série seguinte de narrativas do gênero. Com a obra, vence os prêmios Nestlé e Jabuti. Aposenta-se da vida acadêmica, depois de 30 anos de trabalho na universidade, e passa a se dedicar exclusivamente à literatura. Morre em 16 de abril, após uma longa batalha contra um câncer.

4 – Nirlando Beirão (1948) – Ao longo da carreira como jornalista, passou por algumas dos principais veículos de imprensa do país, como as as revistas “Veja”, “IstoÉ” e “Carta Capital”, na qual foi redator-chefe, e os jornais “O Tempo” e “O Estado de S. Paulo”. Escreveu “Corinthians: É Preto no Branco”, com Washington Olivetto, e “Meus Começos e Meu Fim”, sobre a doença degenerativa da qual sofria. Morreu no dia 30 de abril, aos 71 anos, por complicações causadas pela esclerose lateral amiotrófica (ELA).

5 – Aldir Blanc (1946) – Médico psiquiatra de formação e vascaíno doente, começou carreira como letrista ainda nos anos 1960, quando participou de festivais de música, compondo para Clara Nunes, Taiguara e Maria Creuza. Na década seguinte, pendurou o jaleco para se dedicar à composição e às crônicas. E foi quando compôs o seu maior sucesso, “O bêbado e a equilibrista”, em parceria com João Bosco, depois imortalizada na interpretação de Elis Regina. Com mais de dez livros publicados, era também mestres das crônicas cariocas. Morreu no dia 4 de maio, aos 73 anos, no Rio, em decorrência de complicações causadas pela Covid-19.

6 – Sérgio Sant’Anna (1941) – Expoente do conto, exímio camaleão dos gêneros e um dos mais prolíficos experimentadores formais da literatura brasileira, estreou como escritor com o livro de contos “O sobrevivente”, em 1969, numa edição de autor financiada por seu pai. Entre suas principais obras estão “O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro”, “Amazona”, “O vôo da madrugada”, “O livro de Praga” e “Um crime delicado”. A última obra publicada é de 2017, “O anjo noturno”. O escritor morreu no dia 10 de abril, aos 78 anos, no Rio de Janeiro.

7 – Luiz Maklouf Carvalho (1953) – 16/05 – Nascido em Belém, no Pará, era repórter do Estado de S. Paulo desde 2016. Ele também trabalhou nos jornais “Resistência”, “Movimento”, “Jornal do Brasil”, “Jornal da Tarde”, “Folha de S. Paulo” e das revistas “Época” e “Piauí”. Foi vencedor de dois prêmios Jabuti de livro-reportagem por “Mulheres que foram à luta armada” (1998) e “Já vi esse filme: Reportagens (e polêmicas) sobre Lula e/ou o PT” (2005). Morreu no dia 16 de maio, em São Paulo, após dois anos combatendo um câncer de pulmão.

8 – Olga Savary (1933) – Poeta e tradutora, ganhou o Jabuti, em 1971, na categoria autor revelação, pelo seu livro de estreia, “Espelho Provisório”. Seis anos depois, foi premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte por “Sumidouro”. Em 2008, voltou a vencer o prêmio na mesma categoria, então por “Anima Animalis”. Nascida em Belém do Pará, foi casada com o cartunista Sérgio Jaguaribe, o Jaguar. Traduziu, entre outros, Mario Vargas Llosa e Pablo Neruda. Morreu no dia 15, aos 86 anos, em Teresópolis, no Rio de Janeiro.

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