Ilan Brenman na BVL

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O Segundas Intenções de setembro na Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) teve como convidado o escritor Ilan Brenman. A atividade foi realizada no sábado, 16, às 11 horas, com a mediação do curador do programa, o jornalista Manuel da Costa Pinto. Brenman é considerado um dos principais escritores infantis do país, sendo autor do bestseller internacional Até as Princesas Soltam pum. No encontro, ele contou os bastidores de sua extensa obra, de como é o seu processo criativo, comentou sobre o mercado editorial fora do país e disse, de maneira bem enfática, que a literatura e a arte não podem ser censuradas por conta das pressões de grupos econômicos e políticos.

O autor já recebeu o prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantojuvenil (FNLIJ) de Melhor Livro para Criança em 2011, por O alvo. É mestre e doutor pela Universidade de São Paulo (USP), e bacharel em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Publicou cerca de 70 livros, ganhou diversos prêmios e é um dos autores nacionais mais traduzidos no exterior: Alemanha, França, Itália, Suécia, Dinamarca, Polônia, Portugal, Espanha, México, Argentina, China e Coreia do Sul.

Apesar da grande quantidade de títulos, disse que as obras que escreve demoram anos para sair do papel. É muito tempo de elaboração, pensamento, acabamento, diálogo com os ilustradores, diagramadores, editores, revisores, tradutores, agentes literários e diversos outros profissionais do meio editorial – do Brasil e do exterior. Comenta que outros grandes autores deste segmento infantojuvenil também são prolíficos em produção: Ziraldo, Eva Furnari, Ruth Rocha e Pedro Bandeira têm entre 60 a 100 livros lançados no mercado.

Com essa produção intensa, é necessária muito criatividade: ele gosta de recontos – ler histórias clássicas e populares e adaptar ao cenário moderno. Também escreveu diversos livros fruto de diálogos com suas filhas. Ressaltou também a importância do contato e da troca com os ilustradores: são eles que transformam o texto em imagem e uma mudança no ilustrador ou no traço transforma a forma com que o público lê a narrativa.

Crédito: Equipe SP Leituras

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Após contar essas pequenas histórias, o autor fez um forte discurso político, em que defende a literatura e outras formas de arte. Elas não devem – em nenhuma hipótese – serem censuradas. O gancho para o tema foram as notícias que o curador do programa, Manuel, trouxe ao debate.

Somente na semana passada, três eventos artísticos foram alvos de polêmica como exposição de arte Queermuseu, em Porto Alegre, que foi cancelada; a exposição Cadafalso teve um quadro apreendido no Mato Grosso do Sul e a peça de teatro O evangelho segundo Jesus, rainha do céu, em Jundiaí, foi cancelada após decisão judicial.

Ilan lembra que Monteiro Lobato foi perseguido pela esquerda e pela direita e hoje é visto como um autor racista. Que no passado, existiu a experiência bolchevique que perseguiu artistas, assim como a extrema direita o fez em ditaduras na América Latina e em outras partes do mundo. “Os extremos se tocam, já dizia o filósofo francês Blaise Pascal. Estamos formando geleias humanas, jovens imaturos e adultos infantilizado. A pureza extrema mata, não gera resistência. A arte é uma criadora de anticorpos para enfrentar a vida”.

Um reflexo disso é que editoras nos Estados Unidos e na Europa já contratam um profissional chamado Leitor Sensível. Esta figura é um representante de grupos de minorias que pode sugerir alterações nos textos caso se sinta ofendido na sua crença, raça ou gênero.

“Isso é horrível. A inteligência está em ler entre as linhas, coisa que o fanático e o extremista não têm. Ele é literal, tem certezas, não tem curiosidade e humor. A origem da palavra revolucionário é revolver, revirar o passado para entender o futuro”, comenta. “Isso é especialmente importante para crianças. Não temos que baixar o nível, deixar de usar palavras difíceis. Temos que ensinar, colocar as histórias para circular. Só assim elas vão ter a sua própria interpretação do mundo”, finaliza.

Crédito: Equipe SP Leituras

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