Ignácio de Loyola Brandão no Segundas Intenções

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Neste sábado, 19 de março, a Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) recebeu o escritor Ignácio de Loyola Brandão durante o programa Segundas Intenções, que foi realizado às 15 horas, com moderação de Manuel da Costa Pinto. Na fala, ele contou sua experiência como jornalista, crítico de cinema, ator – fez uma figuração em O pagador de promessas, filme que ganhou a Palma de Ouro em Cannes – e, claro, escritor de diversos romances e de mais de duas mil crônicas.

Falou também de grandes nomes ligados as artes e as letras que foram seus mestres: o cineasta Anselmo Duarte, o dramaturgo Jorge Andrade e o jornalista Samuel Wainer. Contou ainda de seu amor pela Associação Ferroviária de Esportes, time de Araraquara que faz uma brilhante campanha no campeonato Paulista e, como relembra, já bateu o Santos de Pelé por 4 a 1 nos seus gloriosos tempos.

Além de tudo, ele contou causos e memórias da infância e sobre seu grande amor, a arquiteta Márcia Gullo, com quem está casado há trinta anos. O público presente se deliciou com todas as histórias e ele retribuiu com muito carinho: levantava da cadeira e ia ao encontro da pessoa toda vez que alguém fazia uma pergunta, num claro sinal de respeito e delicadeza.

Esse mesmo público fez perguntas sobre seus romances mais notórios: Bebel que a cidade comeu (1968), Zero (1975) e Não verás país nenhum (1981). Ele comentou que Bebel … foi seu primeiro romance e surgiu de uma história que ele ouviu na rua: uma bailarina que se suicidou ao saber que ia perder a perna por conta de uma doença. Já Zero foi sua primeira obra a ser publicada fora do Brasil – na época em que o país estava sob a égide do regime militar. A obra com a temática de tortura foi proibida pela censura aqui. Por fim, Não veras… é na opinião dele um grande uma grande distopia que vislumbra um futuro negro para a humanidade baseado num drama social e ambiental – antecipando inclusive o racionamento de água que parte da população brasileira sofre atualmente.

“A literatura é para a gente se livrar dessas coisas, do inexplicável. A vida é cheia de enigmas, de coincidências, de pontos que se ligam e que não se ligam. Eu queria ser roteirista de cinema, mas muito do que faço hoje é olhar a cidade e escutar as pessoas. E principalmente, revelar o oculto. Vários de meus livros nasceram do meu trabalho como jornalista. E claro, pela ética, não posso inventar como repórter. Mas posso nos meus romances. E acredito que a literatura seja o maior campo de verdade que existe”, afirmou.

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