Exposição Lembra, corpo? transforma fotos de família em arte

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Foto: Equipe SP Leituras.

Foto: Equipe SP Leituras.

“Cada corpo tem sua história. Em cada corpo cabem muitas histórias”. Esta é a frase que se vê logo na entrada da exposição Lembra, corpo?, inaugurada no dia 30 de janeiro, na BVL, e que resume bem a mostra. Ao caminhar entre as imagens, exibidas em painéis e impressas em tecido quase transparente, o visitante conhece um pouco da trajetória de várias famílias e vive a experiência de passear por um grande álbum vivo. O projeto cenográfico e de expografia é assinado por Marcelo Larrea. Já as fotos foram delicadamente tratadas e transformadas pelas mãos do artista Nario Barbosa, que incluiu coloridos bordados em detalhes que chamam a atenção.

Vídeos com entrevistas realizadas com os personagens principais dessas histórias também constam da exposição e enriquecem ainda mais o olhar de quem passeia pelas imagens. Várias dessas pessoas retratadas na mostra estiveram na abertura da exposição, aberta com uma breve apresentação feita por Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras (Organização Social que gere a BVL e apoia a iniciativa), além de Karen Worcman, fundadora e curadora do Museu da Pessoa, e do artista Nario Barbosa.

“Os corpos não mentem, só sentem. Em cada corpo cabem muitas histórias: às vezes, esquecidas, às vezes escondidas, às vezes marcadas em cicatrizes. Cada corpo distribui suas memórias como pode”, como diz Karen Worcman, fundadora e curadora do Museu da Pessoa. Nario, que tem esse mesmo trabalho de bordados em fotos em outras iniciativas, conta que a ideia de “costurar” as imagens surgiu em 1997, quando cobria os desfiles da São Paulo Fashion Week como fotógrafo. Nascido em Cedro de São João (SE), ele conta que, aos 7 anos de idade, via a mãe, as tias e a avó bordando ponto cruz em rodas de mulheres e essa lembrança carregada de afeto foi retomada a com o surgimento desse trabalho. “Foi emocionante poder resgatar essas memórias”, diz ele sobre a experiência de bordar as imagens das famílias retratadas na exposição do Museu da Pessoa na BVL.

Quem são essas pessoas?

Quem abriu seu álbum de fotos para a mostra foi Antonia Bezerra de Oliveira que, do alto dos seus 86 anos, tem muita história para compartilhar. Falante e ativa, Antonia adiou uma viagem para Boston, nos Estados Unidos, com o filho e a nora (presentes na exposição) para que todos pudessem participar do evento de abertura. Lá estavam os filhos Paulo e Ana Arlinda, além da nora Maria Aparecida e da neta Fernanda. Todos emocionados com o resgate de tantas memórias da família, que revisitaram orgulhosamente juntos. Impressionados com a transformação das fotos – que tantas vezes viram na casa de Antonia – em obras de arte, os Bezerra de Oliveira trocavam detalhes sobre essa e aquela imagem, como a do sofisticado vestido de casamento feito pela matriarca para a irmã. Em outro painel, Antonia faz questão de mostrar o caminhão do pai, Luiz Bezerra Xavier, que levava toda a família para passear na pequena Serrinha (RN).

A história dessa mulher nordestina que mudou-se para São Paulo para viver novas experiências, ao lado do marido, ganhou não só espaço na exposição, mas também mereceu contação de história na Oca, conduzida por Sandra Lessa. A performance de Sandra, vestida de noiva, contou ainda com música de Thomas Primatas. No vestido branco, as imagens de fotos da mostra eram projetadas por Luara Lux.  Na Oca, ouvindo a tudo atentamente estavam também Regina Salles ao lado da irmã Alaíde Salles de Andrade e Marilda Nicoletti. Regina estava feliz em ver essa e outras trajetórias compartilhadas com emoção. Ela é uma das protagonistas de fotos também expostas no Lembra, corpo?. Em uma, em especial, Regina está vestida com sua melhor roupa e seu melhor sapato, a pedido da vizinha, para posar para um binoqueiro (que fazia foto vista como se fosse um slide em uma espécie de pequeno binóculo).

A emoção também tomou conta de Cléa Magnani Pimenta, que, durante a cerimônia de abertura da exposição, tinha a felicidade estampada no rosto ao rever suas memórias. Cléa, que vinha escrevendo suas memórias em vários cadernos, hoje diz ter esgotado as histórias nostálgicas e estar pronta para viver o presente de forma plena. O passado, além do registro escrito que guarda em casa, ficou também, agora compartilhado, com as fotos da mostra. Entre elas, uma especial, a que mostra Cléa segurando, sorridente, uma harmônica, que aprendeu, aliás, a tocar sozinha.

Quer conhecer essa e outras histórias? A exposição Lembra, corpo? fica aberta ao público até 3 de março na BVL. A entrada é gratuita. As contações de história baseadas nas imagens da mostra acontecem nos domingos, dias 10 e 17 de fevereiro, às 14 horas (não é necessário fazer inscrição). Confira a galeria de imagens.

A mostra tem recebido atenção da mídia e vem ganhando destaque em várias publicações. Confira as matérias, clicando aqui.

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