Contação de histórias em francês na BVL

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A Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) recebeu nesta quarta-feira, 7 de junho, o evento Mon petit festival – Meu festivalzinho. A ação é organizada pela Escritório do Livro da Embaixada da França no Brasil, Serviço de Cooperação Linguística Francesa e Instituto Francês do Brasil para homenagear a literatura infantil e vai percorrer todo o país. No dia, a BVL recebeu uma contação de histórias da francesa Muriel Bloch e do congolês Wasawula Daniel. Após a atividade, a dupla foi convidada para um bate-papo com os funcionários da instituição.

A contação de histórias durou 45 minutos e divertiu as mais de 40 crianças de duas escolas que estavam na Oca, espaço central da biblioteca. Os dois atores contaram diversas histórias com animais, fábulas que falam sobre amizade, companheirismo e que não se deve julgar as pessoas se as conhecer. Eles também cantaram músicas em francês e português para animar os pequenos.

Muriel elogiou o espaço e comentou que as crianças foram muito simpáticas, afetuosas e tinham muita vivacidade.  Empolgada, ela até arriscou uma contação de histórias em português. As crianças adoraram. Depois ensinou trava-língua em francês. Outro sucesso.

Uma das educadoras que estava supervisionando as crianças disse que a atividade foi bem rica. “É um momento ideal para conhecer outras culturas. Quando a gente falou que ia ser em francês, os alunos ficaram agitados, achando que não iam compreender nada. Mas percebi que entendiam antes da tradução”, disse a pedagoga. As crianças são alunas do Centro da Criança e do Adolescente (CCA) Santa Cruz e CCA Bom Jesus e têm entre 7 e 10 anos.

A francesa viaja contando histórias desde a década de 70, em festivais tanto na França como no exterior. É responsável pela formação sobre o conto e as histórias em La Joie par les livres e professora na universidade Paris VIII no departamento de Artes. Também é autora de vários livros ilustrados. Wasawula Daniel é congolês, mora no Brasil há dez anos e atualmente trabalha como educador no Museu Afro Brasil.

O bate-papo com os funcionários foi outro momento de aprendizado. Muriel começou dizendo que o conto é uma escritura oral e que com a ‘digitalização’ do mundo se esqueceu do contato e da palavra. “Para mim, usar os contos é uma necessidade e um modo de compartilhar uma experiência de vida. Quando falamos ‘Era uma vez’, podemos dizer sobre tudo”, disse a francesa.

Daniel seguiu pelo mesmo caminho e comentou que a contação de histórias nunca vai acabar. Para ele é um jeito de transmitir conhecimentos e sabedoria. “É uma forma de passar a experiência para os outros e para nós mesmos. Na África, as histórias têm sempre um conselho no final”, disse o ator.

A francesa também disse que se uma criança já ouviu uma história, ela cria hábitos de escuta e a comunicação dela melhora. “Os contos são objetos culturais, são o nosso mundo interior e simbólico. Eles falam de costumes, palavras, paisagens. Os contos me permitiram falar do mundo. Na França, por exemplo, agora é moda ter contadores de histórias. E as bibliotecas tiveram um papel importante nessa difusão. Sem elas, meu trabalho não seria possível”, finalizou Muriel.

 

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