#BVL5anos: Jarid Arraes fala sobre seus caminhos e escolhas como escritora

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Jarid Arraes nasceu em Juazeiro do Norte (CE), em fevereiro de 1991, e tem muita história para contar não só sobre sua infância na região do Cariri, mas também sobre seu crescimento como pessoa e profissional da escrita literária. Foi exatamente o que se viu e ouviu durante o programa Segundas Intenções, realizado na manhã de hoje, um dos pontos altos da programação especial de comemorações do aniversário de 5 anos da Biblioteca Parque Villa-Lobos. Com Oca em festa, quem esteve na BVL se deparou com um bate-papo descontraído mediado pelo jornalista Manuel da Costa Pinto e altamente animado.

E não podia ser diferente, pois a jovem escritora tem uma força toda especial, que é marca em tudo o que faz, seja nas suas mídias sociais, em eventos literários etc.  O Segundas Intenções foi oportunidade de encontro com os leitores de suas obras e também com quem não conhecia sua trajetória. Jarid é cordelista, poeta e autora de livros como “Redemoinho em dia quente“, “Um buraco com meu nome“, “As lendas de Dandara” e “Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis“. Hoje curadora do selo literário Ferina, ela, que vive na capital paulista, criou o Clube da Escrita Para Mulheres e tem mais de 70 títulos publicados em Literatura de Cordel.

Confira, a seguir, um “ping-pong” rápido com a escritora:

Na sua opinião, qual é o diferencial da sua literatura? Ou como você se definiria como escritora?
Acho que a influência da literatura de cordel, da melodia do cordel, e do sertão cearense estão sempre presentes em tudo que escrevo. Eu também tive uma base muito intensa na poesia, cresci lendo Carlos Drummond de Andrade, Leminski, Ferreira Gullar e Augusto dos Anjos, então vejo que a poesia não é apenas minha linguagem literária mais amada, é também a mais influente no meu modo de escrita. Eu também acredito muito na experimentação, na liberdade para escrever e mudar tudo de repente, fazer qualquer coisa que se tenha vontade, e é por isso que tenho a Lady Gaga como maior inspiração. Geralmente as pessoas se surpreendem muito quando digo que a Lady Gaga é minha maior inspiração artística, mas indico que a conheçam além do superficial e então vão compreender.
Quando e como descobriu-se escritora?
Comecei a publicar quando tinha uns vinte e dois, vinte e três anos, publicando literatura de cordel e de forma independente. Já comecei a publicar o cordel fazendo essa mistura da tradição da forma, da estética literária, mas trazendo temas que eu nunca tinha lido, temas que falam de um futuro que eu desejo também. Depois disso vieram os livros. E penso que me senti escritora quando a primeira pessoa que comprou um cordel meu me mandou uma mensagem comentando algo a respeito dele. Quando essa ponte foi construída. Eu amo o contato com quem me lê e tento responder a maior quantidade de pessoas que consigo, isso é o que mais me faz sentir escritora, conversar com quem me lê, porque é a parte mais recompensadora e bonita.
Qual o livro que está lendo agora e por que fez essa escolha?
Agora estou lendo “Luanda, Lisboa, Paraíso”, de Djaimilia Pereira de Almeida, que acabou de ganhar o prêmio Oceanos, inclusive. Escolhi esse livro, entre as dezenas aqui empilhadas esperando a leitura, porque já acompanho a autora e estou sempre lendo mulheres negras. Terminei há pouco o “A origem dos outros”, de Toni Morrison, que é incrível.
Qual a importância da presença de cada vez mais escritoras e da voz feminina na literatura nacional?
É fundamental que mulheres escrevam, mulheres de diferentes perspectivas, origens, idades, características. Porque isso enriquece a literatura, torna a literatura mais criativa, mais interessante. Porque isso aproxima as pessoas da literatura, faz com que outras mulheres cheguem mais perto e também se sintam mais do que leitoras, se sintam também na possibilidade real de escrever. E eu trabalho muito para que mais pessoas se tornem escritoras, tenho projetos voltados para que mulheres escrevam e publiquem, como o Clube da Escrita para Mulheres, a editora Ferina e minha mentoria particular. Acredito que é com real pluralidade que temos literatura interessante e de qualidade.
Ficou curioso sobre a carreira, o processo criativo, as influências e as obras de Jarid? Saiba tudo o que rolou no programa Segundas Intenções de hoje, acessando o link com a transmissão que a BVL fez do bate-papo no Facebook em https://pt-br.facebook.com/BVLbiblioteca/
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