A vida com Lacan (Catherine Millot)

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capa_a_vida_com_lacanNessas páginas de memórias, Catherine Millot relembra com doçura, firmeza, sinceridade e humor os anos de convivência e relacionamento pessoal com Lacan, de 1972 até sua morte, em 1981 – dando ao leitor acesso a um prisma peculiar do mestre francês da psicanálise. “Houve um tempo em que eu tinha a sensação de ter apreendido o ser de Lacan em sua essência. De ter uma espécie de intuição de sua relação com o mundo, um acesso misterioso ao lugar íntimo de onde emanava sua ligação com os seres e as coisas, e também com ele próprio. Era como se eu houvesse deslizado para dentro dele. Essa sensação ia de par com a impressão de estar compreendida, no sentido de estar integralmente incluída nessa sua compreensão, cuja extensão me ultrapassava. … Eu me sentia transparente para Lacan, convencida de que ele detinha um saber absoluto a meu respeito. Não ter nada a dissimular, nenhum mistério a preservar, dava-me uma total liberdade com ele, mas não só. Uma parte essencial de meu ser lhe era entregue, ele tinha sua guarda, eu me sentia aliviada. Vivi a seu lado anos a fio nessa leveza.”

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