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Escritora, militante, dramaturga e ilustradora, Pagu faria 110 anos

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Patricia Galvão, a Pagu. Foto: Domínio Público

Patricia Galvão, a Pagu. Foto: Domínio Público

Patrícia Rehder Galvão (1910-1952), a Pagu, detestava ser chamada pelo apelido criado em um poema pelo amigo e escritor Raul Bopp. Na introdução da coletânea póstuma “Safra macabra”, reunião de contos policiais dela sob o pseudônimo King Shelter, o jornalista Geraldo Galvão Ferraz escreveu que a mãe costumava dizer, no fim da vida, que aquele rótulo “parecia designar uma pessoa que já não existia”. Era para ela “alguém que morrera há muito tempo, vítima do esmagamento de seus entusiasmos juvenis por engrenagens implacáveis”.

Escritora, jornalista, ilustradora, militante política, dramaturga e professora, Pagu teve uma vida agitada desde bem cedo. Aos 19 anos, conhece o escritor Oswald de Andrade e a artista plástica Tarsila do Amaral, que a adotam como musa do movimento antropofágico. Nesse período, ela tem um de seus desenhos publicado na “Revista de Antropofagia”.

Em 1930, Patrícia casa-se com Oswald e afasta-se da família. No ano seguinte, ingressa no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e se dedica integralmente à militância. Com a ajuda de Oswald, publica o romance “Parque Industrial” (1933), primeiro protagonizado por operários, sob o pseudônimo Mara Lobo – uma exigência da direção partidária.

Como jornalista, Pagu foi corresponde em vários jornais e visitou os Estados Unidos, o Japão, a China e a União Soviética. No Brasil, por causa da militância, fica presa de 1935 a 1940, é vítima de torturas e tem problemas de saúde. Na prisão, escreve em 1939 o romance “Microcosmo”, cuja primeira parte enterra em um terreno baldio em São Paulo, mas nunca mais a encontrou.

Ao sair, decidiu romper com o partido. Em seguida, já separada de Oswald, casa-se com o jornalista e escritor Geraldo Ferraz. Com ele, escreve o romance “A Famosa Revista” (1945) e trabalha em diversos jornais, como os cariocas A Manhã e O Jornal, e os paulistanos A Noite e Diário de São Paulo.

Em 1952, começa a frequentar aulas na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP), envolvendo-se com o teatro. Em 1954, muda-se com a família para Santos, a fim de trabalhar no jornal A Tribuna. Envolvida na cobertura de teatro local, associa-se ao movimento, traduzindo e montando peças, lecionando e fazendo campanha para a construção do Teatro Municipal.

Morre em 1962 e deixa vários textos inéditos, que depois começam a ser organizados e publicados. Sob o pseudônimo de King Shelter, escreveu contos de suspense para a revista “Detetive”, dirigida pelo dramaturgo Nelson Rodrigues.

As bibliotecas de São Paulo e Parque Villa-Lobos têm em seu acervo várias edições de biografias de Pagu. É importante lembrar que, devido às medidas para contenção da pandemia do novo coronavírus, ambas as bibliotecas estão com atividades presenciais suspensas.

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